Fonte: acervo do autor

A Grenalização Religiosa da Política Nacional

Temos vivido semanas históricas na política brasileira: o povo foi às ruas; políticos e grande empresários a eles ligados estão sendo presos ou conduzidos a depor ou tendo seus escritórios e casas reviradas por mandados de busca e apreensão; áudios de investigações foram publicizados de modo controverso; e os políticos, a mídia e formadores de opinião em geral debatem intensamente esses acontecimentos, muitos dos quais de modo absolutamente apaixonado! #foraPT e #nãovaitergolpe estão se tornando religiões fundamentalistas que não aceitam o debate de ideias e que “queimam na fogueira” qualquer pessoa que faça qualquer contraponto…

Fonte: acervo do autor.
Fonte: acervo do autor.

No meio disso, estou eu, tentando ter sensatez para avaliar, da forma mais lúcida possível, esses acontecimentos. E a história me deu a graça de estar em Brasília no dia em que a população foi à Praça dos Três Poderes e ao gramado do Congresso protestar contra a nomeação de Lula para Ministro-Chefe da Casa Civil. Fui, pessoalmente, ao locus dos acontecimentos assisti-los. O que vi foi uma multidão, nem absolutamente gigante e nem desprezível, composta por pessoas das mais variadas etnias e com vestimentas demonstrando variados níveis de riqueza, protestando de modo absolutamente pacífico contra a corrupção em geral. O foco era Lula, PT e Dilma, mas também se gritava contra Eduardo Cunha. Um pequeno grupo começou a gritar pedindo por Bolsonaro e foi imediatamente vaiado pela maioria da multidão manifestante.

Essas observações que fiz reforçaram algumas percepções que eu já tinha: a maior parte das pessoas que estão indo às manifestações, não o está por defender um ou outro partido e nem por ser de uma outra raça e nem tampouco por ser de uma ou outra classe social, mas estão indo para clamar por um país honesto e justo. Como todo movimento político, ele não é homogêneo e há pessoas das mais diversas matizes ideológicas e políticas. Portanto, reduzir essas manifestações a uma expressão de um único grupo social não é uma opinião responsável ou honesta.

“…sensatez para avaliar, da forma mais lúcida possível, esses acontecimentos”

Diante disso, temos que refletir sobre o contexto mais amplo e sobre o que os políticos estão fazendo sobre essas manifestações.

De um lado, uma aliança PSDB-DEM-PMDB está agindo vorazmente para derrubar o atual governo sob qualquer pretexto, pois, através de Michel Temer, serão os herdeiros do impeachment. Mas… políticos desse grupo também estão sendo investigados ou tiveram seus nomes já citados em irregularidades… inclusive o próprio vice-presidente Temer e o candidato à presidência Aécio Neves estão nessa condição… serão realmente eles que irão trazer a tão almejada ética à política brasileira?

Por outro lado, o PT se agarra tenazmente ao poder, tenta se manter no governo a qualquer preço e procura justificar a corrupção, já inegável, a partir dos ganhos sociais ocorridos nos últimos 13 anos do Brasil e adota um discurso de divisão nacional entre classes. Mas… os ganhos sociais não tem absolutamente nada a ver com corrupção, e, inclusive, se todo o dinheiro desviado em práticas corruptas tivesse sido destinado a programas sociais e de desenvolvimento nacional o país teria avançado muito mais ainda… esses empresários envolvidos com os esquemas de corrupção capitaneados pelo PT são justamente os membros típicos dessa “elite branca” que o PT tanto diz estar querendo fazer um golpe… será que o PT é realmente o melhor representante dos interesses sociais da nação?

Sim, é um cenário tragicômico! Mas só o é porque políticos profissionais estão manobrando os acontecimentos e, principalmente, a opinião pública sobre os acontecimentos. #foraPT e #nãovaitergolpe não existe à toa, mas foram criados intencionalmente. E essa intencionalidade, presente em ambos os lados está conduzindo o nosso país à radicalização e a uma “grenalização” política, como já disse, semi-religiosa.

Por isso, é imperioso que nós, cidadãos brasileiros, atentemo-nos aos interesses que estão por trás de cada lado desse embate e, principalmente, percebamos que esse embate não possui apenas esses dois lados, como nos querem fazer acreditar. A política e, principalmente, a nação, possuem muitos lados e muitas posições intermediárias ou alternativas a esse grenal PT x PMDB-PSDB-DEM.

Portanto, devemos, sim, prosseguir na luta pelo combate à corrupção, mas devemos repelir qualquer posição radical que pretenda transformar um lado em demônio e outro lado em divindade.

“esse embate não possui apenas esses dois lados”

Sobre Artur Niemeyer

Eu nasci em São Leopoldo, onde resido hoje. Tenho, agora, 35 anos. Com QI de 138, formei-me técnico em Mecânica de Precisão pelo SENAI/CETEMP, licenciado em História pela Unisinos, onde agora estou cursando a graduação em Direito, e pós-graduado como Especialista em Gestão Pública pela UFRGS. Publiquei 2 capítulos de livros sobre Gestão por Processos em Segurança Pública, assunto que também apresentei em seminário internacional da área. Comecei a realizar pequenos trabalhos aos 15 anos. Aos 18 anos, passei a atuar na indústria metal-mecânica. Aos 20, passei pela minha primeira experiência de administração, ao gerir uma pequena empresa de assessoria contábil. Com quase 21 anos, ingressei na Polícia Rodoviária Federal, como policial. Trabalhei nas atividades de policiamento de rua, atendimento aos cidadãos, policiamento especializado, supervisão operacional da Região Metropolitana de Porto Alegre, licitações, fiscalização de contratos, corregedoria, projetos, acompanhamento de auditorias, planejamento e controle de operações e na segurança dos Grandes Eventos realizados no Brasil até 2014. Fui membro juvenil do Movimento Escoteiro por 10 anos e, atualmente, atuo como voluntário junto ao Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul. Em meados de 2015, iniciei um movimento comunitário local chamado "Projeto São Leopoldo Melhor", que atua apoiando causas e demandas da sociedade leopoldense, em prol de seu aprimoramento. Em 7 de setembro de 2015, ingressei na política, filiando-me ao PDT, por acreditar na democracia, na legalidade e na emancipação do povo pela educação e pelo trabalho. Em 15 de novembro, lancei minha pré-candidatura a vereador, defendendo uma política limpa, transparente, honrada e de conteúdo, pautada por projetos claros e viáveis. Atingi a suplência com 911 votos, apesar do pouco investimento financeiro, provando ser possível fazer política sem uso ou respaldo do poder econômico. Veja mais em: .

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