As Pessoas Acima de Tudo (?)

Quando o atual prefeito era candidato, ele ostentava o slogan “as pessoas acima de tudo”. Mas, agora que já é prefeito, parece ter se esquecido dessa frase…

Falo da questão do Asilo Municipal, o Lar São Francisco de Assis. A Fundação Hospital Centenário tem, nos fundos do antigo hospital, uma área livre maior que a área do Asilo e com ótimo acesso. Porém, o nosso prefeito insiste em querer demolir um prédio histórico da cidade – o prédio do Lar – para lá pôr o novo hospital. Mas, e os idosos do Lar?

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Fonte: acervo pessoal do autor

Ah, os idosos serão remanejados para o antigo Centro de Especialidades Médicas. Remanejados, assim, como se fossem objetos a serem depositados… A atual administração se esquece de que aqueles idosos, já abandonados ou mal tratados por suas famílias, são pessoas, são seres humanos. E que o Lar é justamente isso: um Lar, não um simples abrigo ou um depósito. Os idosos do Lar São Francisco criam laços uns com os outros e com a casa. Fazem de seus companheiros a sua família. Fazem daquelas históricas paredes o seu refúgio, o seu Lugar.

Uma mudança, porém, para um lugar melhor seria muito bem-vinda. Entretanto, não é isso que está por acontecer. O espaço oferecido para o novo Lar não comporta os 40 leitos que hoje existem no Asilo. Ele tem apenas 60% da área do prédio atual. É um prédio muito mais quente e barulhento. Não possui um pátio com jardim e arborização como o do atual Lar. Hoje, os idosos têm quartos duplos ou individuais. O novo Asilo terá somente quartos quádruplos, retirando toda a privacidade desses idosos.

“…demolir um prédio histórico da cidade…”

Será que o nosso prefeito está realmente pondo as pessoas acima de tudo?

Mas, e o novo hospital? O novo hospital pode ser construído, sem nenhum prejuízo, na área livre do atual Centenário. Inclusive, será uma obra mais barata, pois não exigirá uma demolição de um prédio do porte desse que hoje abriga o Lar.

Por que se quer, então, o novo hospital onde hoje está o Asilo? Alega-se necessidade de integração com o Centenário. Todavia, quando a Prefeitura lançou o novo hospital, mostrou um projeto de construção nos fundos do Centenário, lá na área livre. Ou seja, é perfeitamente viável construir naquela área! Assim, só resta uma alternativa de explicação: visibilidade política! Ano que vem há eleições municipais e uma obra na Avenida T. P. da Fonseca é muito mais vista…

Eu gostaria de perguntar ao nosso prefeito como ele gostaria de entrar para a história: como o homem que defendeu as pessoas (idosos) e a história da cidade (prédio) ou como o homem que rasgou o seu slogan em nome de marketing político?

“como ele gostaria de entrar para a história”

Veja a versão desse texto publicada no Jornal VS em 15/06/2015.

Sobre Artur Niemeyer

Eu nasci em São Leopoldo, onde resido hoje. Tenho, agora, 35 anos. Com QI de 138, formei-me técnico em Mecânica de Precisão pelo SENAI/CETEMP, licenciado em História pela Unisinos, onde agora estou cursando a graduação em Direito, e pós-graduado como Especialista em Gestão Pública pela UFRGS. Publiquei 2 capítulos de livros sobre Gestão por Processos em Segurança Pública, assunto que também apresentei em seminário internacional da área. Comecei a realizar pequenos trabalhos aos 15 anos. Aos 18 anos, passei a atuar na indústria metal-mecânica. Aos 20, passei pela minha primeira experiência de administração, ao gerir uma pequena empresa de assessoria contábil. Com quase 21 anos, ingressei na Polícia Rodoviária Federal, como policial. Trabalhei nas atividades de policiamento de rua, atendimento aos cidadãos, policiamento especializado, supervisão operacional da Região Metropolitana de Porto Alegre, licitações, fiscalização de contratos, corregedoria, projetos, acompanhamento de auditorias, planejamento e controle de operações e na segurança dos Grandes Eventos realizados no Brasil até 2014. Fui membro juvenil do Movimento Escoteiro por 10 anos e, atualmente, atuo como voluntário junto ao Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul. Em meados de 2015, iniciei um movimento comunitário local chamado "Projeto São Leopoldo Melhor", que atua apoiando causas e demandas da sociedade leopoldense, em prol de seu aprimoramento. Em 7 de setembro de 2015, ingressei na política, filiando-me ao PDT, por acreditar na democracia, na legalidade e na emancipação do povo pela educação e pelo trabalho. Em 15 de novembro, lancei minha pré-candidatura a vereador, defendendo uma política limpa, transparente, honrada e de conteúdo, pautada por projetos claros e viáveis. Atingi a suplência com 911 votos, apesar do pouco investimento financeiro, provando ser possível fazer política sem uso ou respaldo do poder econômico. Veja mais em: .

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