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O Dilema da Esquerda Brasileira

Norberto Bobbio, o maior cientista político do pós-Guerra, faz, em seu livro “Direita e Esquerda”, um amplo debate sobre esses conceitos e sobre as suas aplicações na atualidade. Em suas conclusões, ele indica que o pensamento de direita parte do pressuposto de que as pessoas são mais diferentes do que iguais e, por isso, a desigualdade social não é um problema, mas uma manifestação dessas diferentes capacidades. Já o pensamento de esquerda parte do pressuposto inverso: que as pessoas são mais iguais do que diferentes e, por isso, a sociedade deve ser mais igualitária.

O próprio Bobbio afirma que essas posições, porém, não são estanques, como dois lados de uma moeda. O espectro político, ao contrário, possui inúmeras posições gradativas, indo da extrema esquerda, representada pelo comunismo, até a extrema direita, representada pelo nazi-fascismo. Interessante perceber que ambas as posições extremadas têm uma característica comum: governos totalitários.

De um modo básico, pode-se dizer que o campo da esquerda é composto pelas seguintes ideologias, da mais extrema à mais moderada: comunismo, socialismo e trabalhismo. Ao centro há a social-democracia. À direita há, do mais moderado ao mais extremo: neoliberalismo, liberalismo e conservadorismo. Já o pensamento democrático abarca a porção moderada desse espectro.

Fonte: http://f.i.uol.com.br
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No Brasil, o grande nome da esquerda até os anos 70 foi o de Leonel Brizola, que transitava entre o socialismo e o trabalhismo, fixando-se nesse último. Nos anos 80, porém, a emergência de Lula e do PT quebrou a hegemonia de Brizola com seu antigo PTB e seu nascente PDT. O PT foi crescendo até chegar à presidência nacional e se tornar a grande e incontestável força da esquerda. Ideologicamente, o PT se localiza entre no socialismo com correntes simpatizantes do comunismo. Porém, para chegar ao poder, aliou-se com o PMDB, um partido difícil de classificar por sua heterogeneidade e identidade fluida.

“O espectro político […] possui inúmeras posições gradativas”

Agora, os escândalos de corrupção e outros fatos ilícitos que assolam o governo federal demonstram que o PT, apesar de seu discurso de esquerda e de igualdade adotou, a despeito das inegáveis políticas sociais, uma prática conservadora ao se associar com a elite econômica do Brasil para locupletamento próprio. Além disso, o desprezo pelo Congresso Nacional demonstrou uma posição tendente ao extremismo totalitário.

Ou seja, o PT se tornou um partido híbrido: socialista nas políticas públicas, tendente ao comunismo na concentração de poder e conservador na relação com a elite econômica. O que há de comum nessas 3 posições políticas? a negação da democracia, a qual exige moderação, diálogo e respeito às leis.

Diante disso, o PT perdeu a legitimidade de ser o grande líder da esquerda, a menos que se aceite a premissa de que “os fins justificam os meios”, usada por Lênin e Stálin para matar 25 milhões de pessoas em nome da Revolução Soviética e usada por Mao Tse Tung para matar os professores da China em nome da Revolução Cultural.

E agora a esquerda se vê diante de um dilema: manter-se fiel ao PT em nome de uma identidade apenas nominal de esquerda e deixar a direita (historicamente corrupta) empunhar sozinha o estandarte da ética política ou se desligar do PT, reconhecendo o fracasso e a traição do antigo líder, e apresentar à sociedade alternativas políticas éticas dentro do campo da esquerda.

O PSOL, localizado num ponto mais radical do espectro político, já começou esse movimento, mas possui resistência justamente pelo seu radicalismo. O PSB já o está fazendo desde a candidatura de Eduardo Campos, mas não possui um nome com o carisma necessário. O PDT é o terceiro partido que pode surgir como alternativa, através da liderança de Ciro Gomes, mas, para isso, precisa se divorciar do governo federal o mais rápido possível.

“o PT perdeu a legitimidade de ser o grande líder da esquerda”

E então? Como a esquerda resolverá esse dilema?

Sobre Artur Niemeyer

Eu nasci em São Leopoldo, onde resido hoje. Tenho, agora, 35 anos. Com QI de 138, formei-me técnico em Mecânica de Precisão pelo SENAI/CETEMP, licenciado em História pela Unisinos, onde agora estou cursando a graduação em Direito, e pós-graduado como Especialista em Gestão Pública pela UFRGS. Publiquei 2 capítulos de livros sobre Gestão por Processos em Segurança Pública, assunto que também apresentei em seminário internacional da área. Comecei a realizar pequenos trabalhos aos 15 anos. Aos 18 anos, passei a atuar na indústria metal-mecânica. Aos 20, passei pela minha primeira experiência de administração, ao gerir uma pequena empresa de assessoria contábil. Com quase 21 anos, ingressei na Polícia Rodoviária Federal, como policial. Trabalhei nas atividades de policiamento de rua, atendimento aos cidadãos, policiamento especializado, supervisão operacional da Região Metropolitana de Porto Alegre, licitações, fiscalização de contratos, corregedoria, projetos, acompanhamento de auditorias, planejamento e controle de operações e na segurança dos Grandes Eventos realizados no Brasil até 2014. Fui membro juvenil do Movimento Escoteiro por 10 anos e, atualmente, atuo como voluntário junto ao Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul. Em meados de 2015, iniciei um movimento comunitário local chamado "Projeto São Leopoldo Melhor", que atua apoiando causas e demandas da sociedade leopoldense, em prol de seu aprimoramento. Em 7 de setembro de 2015, ingressei na política, filiando-me ao PDT, por acreditar na democracia, na legalidade e na emancipação do povo pela educação e pelo trabalho. Em 15 de novembro, lancei minha pré-candidatura a vereador, defendendo uma política limpa, transparente, honrada e de conteúdo, pautada por projetos claros e viáveis. Atingi a suplência com 911 votos, apesar do pouco investimento financeiro, provando ser possível fazer política sem uso ou respaldo do poder econômico. Veja mais em: .

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2 comentários

  1. João Carlos Tomm

    Pois é! À Direita o “bicho come”! – À Esquerda “o bicho pega”! Minha única alternativa é correr para o lado da “onça pintada”. Mas “onça pintada” é só uma caricatura. – Eis aí o retrato da nossa política partidária. – Só uma “metánoia” (conversão, renascimento) político para termos uma esperança. Assim sendo, caro Artur, acredito que sua candidatura traz um pouco de luz. Mas uma andorinha sozinha pode ser abatida a bodocada. Por isso, preciso lembrar um conselho importante do apóstolo Paulo ao jovem Timóteo – aspirante ao ministério pastoral (função pública a serviço do povo) tal qual a do político. Diz o apóstolo: – “Conserve a sua fé e mantenha a sua consciência limpa. Algumas pessoas não têm escutado a sua própria consciência, e isso tem causado a destruição da sua fé.” – Conte com meu apoio e obrigado pelas importantes reflexões que nos tem oferecido. Povo que lê e se informa, se instrui, escolha melhor e não se deixa ludibriar por “maquiagens”.

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