Fonte: http://www.acaoturilandia.com.br/2015/10/coronelismo.html

Os Novos Coronéis e a Desigualdade Social no Brasil

Pois, terminei de ler “Terras do Sem Fim“, de Jorge Amado, e me pus a pensar sobre a sociedade brasileira.

Em primeiro lugar, ainda somos um país de escravos!

Jorge Amado mostra como os trabalhadores do cacau eram escravos de fato dos coronéis. Embora juridicamente livres, eram escravizados por dívidas e pelos jagunços, prontos a punir com a morte a deslealdade.

Além disso, os coronéis eram os centros gravitacionais da sociedade em que viviam, determinando quem seriam e como agiriam os políticos, quais comerciantes poderiam prosperar, quais prostitutas seriam exclusivamente deles e formavam um séquito de profissionais liberais e funcionários “públicos” que prestavam serviços para seu grupo de leais e regularizavam as ações irregulares dos coronéis.

Hoje, os nomes mudaram, mas a essência não: os coronéis hoje são chamados de grande empresariado, com destaque para os empreiteiros, os banqueiros e os do agronegócio e da mídia. Em torno deles, orbitam políticos (vide Lava-Jato), profissionais liberais e capatazes, chamados agora de diretores e gerentes.

E na base da produção econômica permanecem os trabalhadores, com seus salários insuficientes, sem a educação necessária para se desenvolverem e sempre ingenuamente contentes com as migalhas atiradas pelos coronéis – grande empresariado – ou pelos políticos a serviço deles.

“os coronéis hoje são chamados de grande empresariado”

Como resultado dessa dinâmica social, temos, no Brasil, uma desigualdade social brutal. Dados da Receita Federal do Brasil, colhidos a partir das Declarações de Imposto de Renda (sabendo-se que a sonegação é diretamente proporcional à riqueza), indicam que os 5% mais ricos da população auferem 28% da renda do país e que o 0,1% mais ricos (200 mil pessoas) possuem 6.448% mais bens e direitos do que a média dos que declaram imposto de renda.

Os dados do IBGE, colhidos em pesquisa por domicílio, são ainda mais dramáticos: os 10% mais ricos do Brasil ficaram com mais de 40% da renda nacional em 2015! Aliás, o IBGE indica que a renda média do trabalhador brasileiro, em 2015, estava em R$ 1.746,00 por mês. Ou seja, se tem gente ganhando mais de R$ 100.000,00 por mês, muita gente precisa ganhar quase nada (os 10% mais pobres tiveram renda de apenas R$ 202,00/mês em 2015).

Há saída para isso? Claro que sim! Basta prover educação de qualidade para o povo, gerar trabalho, fomentar cooperativas, microempreendedorismo e micro e pequenas empresas, realizar uma reforma tributária que torne a carga de impostos progressiva e não regressiva e realizar uma reforma política que anule o poder econômico sobre as eleições.

Mas isso depende dos políticos comandados pelos coronéis? Sim, depende!

Fonte:
Fonte: <http://www.historiadigital.org/questoes/questao-coronelismo-e-cidadania/>

“os 10% mais ricos do Brasil ficaram com mais de 40% da renda nacional em 2015!”

Então, só há uma saída legalista: o povo parar de votar nos coronéis e nos seus representantes! Parar de trocar o seu voto por favores dos poderosos! Dar a si mesmo o devido valor, deixando de ser submisso aos poderosos, e exigir o que lhe é de direito: uma sociedade justa e verdadeiramente democrática!

Sobre Artur Niemeyer

Eu nasci em São Leopoldo, onde resido hoje. Tenho, agora, 35 anos. Com QI de 138, formei-me técnico em Mecânica de Precisão pelo SENAI/CETEMP, licenciado em História pela Unisinos, onde agora estou cursando a graduação em Direito, e pós-graduado como Especialista em Gestão Pública pela UFRGS. Publiquei 2 capítulos de livros sobre Gestão por Processos em Segurança Pública, assunto que também apresentei em seminário internacional da área. Comecei a realizar pequenos trabalhos aos 15 anos. Aos 18 anos, passei a atuar na indústria metal-mecânica. Aos 20, passei pela minha primeira experiência de administração, ao gerir uma pequena empresa de assessoria contábil. Com quase 21 anos, ingressei na Polícia Rodoviária Federal, como policial. Trabalhei nas atividades de policiamento de rua, atendimento aos cidadãos, policiamento especializado, supervisão operacional da Região Metropolitana de Porto Alegre, licitações, fiscalização de contratos, corregedoria, projetos, acompanhamento de auditorias, planejamento e controle de operações e na segurança dos Grandes Eventos realizados no Brasil até 2014. Fui membro juvenil do Movimento Escoteiro por 10 anos e, atualmente, atuo como voluntário junto ao Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul. Em meados de 2015, iniciei um movimento comunitário local chamado "Projeto São Leopoldo Melhor", que atua apoiando causas e demandas da sociedade leopoldense, em prol de seu aprimoramento. Em 7 de setembro de 2015, ingressei na política, filiando-me ao PDT, por acreditar na democracia, na legalidade e na emancipação do povo pela educação e pelo trabalho. Em 15 de novembro, lancei minha pré-candidatura a vereador, defendendo uma política limpa, transparente, honrada e de conteúdo, pautada por projetos claros e viáveis. Atingi a suplência com 911 votos, apesar do pouco investimento financeiro, provando ser possível fazer política sem uso ou respaldo do poder econômico. Veja mais em: .

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2 comentários

  1. Uma realidade cruel e desesperançadora. Continuamos um Brasil colônia. Ante esse quadro de desilusão e desesperança porque passa nosso país não dá para não lembrar os muitos “AIS” – condenatórios de Deus, afirmando que não ficará pedra sobre pedra da cidade, da nação que legitima a injustiça social, cultua o “se dar bem”, alimenta a corrupção e não pune os maus…
    O profeta Isaías, lá pelo ano 700 anos antes de Cristo, recebeu de Deus a seguinte mensagem:
    – “Ai de vocês que fazem leis injustas, leis para explorar o povo! Vocês não defendem os direitos dos pobres nem as causas dos necessitados e exploram as viúvas e os órfãos. O que vocês vão fazer no dia do castigo, quando a desgraça bater à porta?
    A quem vão pedir socorro? – Onde esconderão as suas riquezas?” (Profeta Isaías 10)

    • De fato, meu caro Tomm, a corrupção e a exploração são tão antigas quanto à humanidade. E, infelizmente, no Brasil, a elite política e econômica criou maquiagens modernistas para a nossa sociedade, mas nunca mexeu (e luta fervorosamente para não deixar que se mexa) na lógica social brasileira. E o que é mais assustador é ver o povo, explorado, defender esse sistema social como e ele fosse natural, recusando-se a enfrentar essas elites!

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