Fonte: www.institutophd.com.br

Percepções do Eleitorado I – Perfil

Fonte: http://pablo.deassis.net.br
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Entre fins de fevereiro e começo de abril, eu realizei uma pequisa pela internet sobre as percepções de eleitores sobre candidatos à vereança em São Leopoldo. A pesquisa foi realizada através de questionário construído no Google Docs e distribuído através de link virtual. Hoje, trago alguns primeiros resultados dessa pesquisa, referentes ao perfil dos seus participantes.

Uma premissa inicial é que, obviamente, todas as pessoas que responderam à pesquisa utilizam internet, especialmente as redes sociais Facebook e WhatsApp, que foram os canais pelos quais eu divulguei o link.

Sobre os resultados, o primeiro dado que chama a atenção é que nenhum indivíduo com 21 anos ou menos respondeu ao questionário. 36,8% das respostas foram de pessoas entre 41-55 anos, 28,9% entre 31-40 anos, 21,1% entre 56-70 anos e 13,2% entre 22-30 anos. Essa distribuição sugere que a população mais jovem, notoriamente ampla usuária das redes sociais, possui menos interesse na política ou, pelo menos, em debater política do que as faixas etárias mais maduras.

“chama a atenção é que nenhum indivíduo com 21 anos ou menos respondeu ao questionário”

Outro dado é a distribuição de escolaridade. Ampla maioria dos participantes (55,3%) estão localizados no ensino superior, seja completo ou incompleto e outros 34,2% estão localizados na pós-graduação (mestrado completo, lato sensu completo ou incompleto). Apenas 10,5% dos respondentes possuem escolaridade entre fundamental incompleto e médio completo. Nesse quesito, pode-se levantar duas hipóteses: a) a maior escolaridade está associada a maior uso das redes sociais virtuais; ou b) a maior escolaridade está associada a maior interesse por debater política.

Quanto à renda dos respondentes, 68,4% possuem renda familiar per capita entre R$ 2.000,00 e 10.000,00, com leve concentração no estamento de R$ 2.000,00-R$5.000,00. Depois, a faia entre R$ 1.000,00 e R$ 2.000,00 tem destaque com 18,4%. As faixas com renda familiar per capita abaixo de R$ 1.000,00 e acima de R$ 10.000,00 apresentaram menor participação (5,3% e 7,9%, respectivamente). Esses dados sugerem que a classe média é mais propensa ao debate político, enquanto pobres e ricos demonstram menos interesse nesse debate. Os dados para a faixa de renda mais pobre, contudo, podem ser relativizados pela influência do menor acesso às redes sociais virtuais e à menor escolaridade. Portanto, chama a atenção em especial o pouco interesse dos mais ricos sobre o debate político.

Um último dado com destaque é quanto à filiação partidária. 60,5% dos respondentes declaram não ter filiação partidária, o que parece demonstrar um importante interesse da população não vinculada a partidos políticos no debate político atual, muito embora o percentual da população não filiada seja, certamente, bastante superior a esse índice.

Obviamente, este artigo não possui caráter científico e, portanto, possui limitações quanto às suas conclusões. Contudo, o olhar lançado sobre essa pesquisa realizada sugere que, dentre os utilizadores das redes sociais virtuais Facebook e WhatsApp, os indivíduos com idade entre 31 e 55 anos, com escolaridade superior ou maior, pertencentes à classe média e não filiados a partidos políticos são os que demonstram o maior interesse no debate político.

“chama a atenção em especial o pouco interesse dos mais ricos sobre o debate político.”

Por fim, duas constatações suscitam dúvidas instigadoras: a) por que os mais ricos, apesar de se enquadrarem nos mesmos critérios de idade, escolaridade e filiação do público mais engajado, demonstram pouco interesse no debate político? e b) porque os mais jovens, apesar de utilizarem largamente as redes sociais virtuais apresentam tão pouco interesse no debate político? Eu tenho algumas hipóteses sobre isso, mas deixo-as para um post futuro.

Sobre Artur Niemeyer

Eu nasci em São Leopoldo, onde resido hoje. Tenho, agora, 35 anos. Com QI de 138, formei-me técnico em Mecânica de Precisão pelo SENAI/CETEMP, licenciado em História pela Unisinos, onde agora estou cursando a graduação em Direito, e pós-graduado como Especialista em Gestão Pública pela UFRGS. Publiquei 2 capítulos de livros sobre Gestão por Processos em Segurança Pública, assunto que também apresentei em seminário internacional da área. Comecei a realizar pequenos trabalhos aos 15 anos. Aos 18 anos, passei a atuar na indústria metal-mecânica. Aos 20, passei pela minha primeira experiência de administração, ao gerir uma pequena empresa de assessoria contábil. Com quase 21 anos, ingressei na Polícia Rodoviária Federal, como policial. Trabalhei nas atividades de policiamento de rua, atendimento aos cidadãos, policiamento especializado, supervisão operacional da Região Metropolitana de Porto Alegre, licitações, fiscalização de contratos, corregedoria, projetos, acompanhamento de auditorias, planejamento e controle de operações e na segurança dos Grandes Eventos realizados no Brasil até 2014. Fui membro juvenil do Movimento Escoteiro por 10 anos e, atualmente, atuo como voluntário junto ao Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul. Em meados de 2015, iniciei um movimento comunitário local chamado "Projeto São Leopoldo Melhor", que atua apoiando causas e demandas da sociedade leopoldense, em prol de seu aprimoramento. Em 7 de setembro de 2015, ingressei na política, filiando-me ao PDT, por acreditar na democracia, na legalidade e na emancipação do povo pela educação e pelo trabalho. Em 15 de novembro, lancei minha pré-candidatura a vereador, defendendo uma política limpa, transparente, honrada e de conteúdo, pautada por projetos claros e viáveis. Atingi a suplência com 911 votos, apesar do pouco investimento financeiro, provando ser possível fazer política sem uso ou respaldo do poder econômico. Veja mais em: .

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2 comentários

  1. João Carlos Tomm

    Artur, não sei quantas pessoas responderam a pesquisa, mas de qualquer forma sempre traz uma luza sobre algumas coisas. – O fato de não haver participação na geração abaixo de 21 anos é porque não temos uma cultura e educação social e política condizente. Outra razão é que essa geração está tão desiludida, desesperançada e frustrada com a política vigente, que ela quer mais é não ouvir nem se envolver…. e, se possível cair fora do Brasil. – Por essa razão, os novos eleitos junto com a sociedade, precisam reconstruir esse país, calcado em novas premissas. – E uma delas é criar canais de participação e engajamento social e político ativo, desde cedo. Criar grupos de atividades comunitárias, solidárias, formando quem sabe cooperativas onde o jovem atua como cidadão e até com a possibilidade de ter uma renda,neste momento de desemprego e falta de opções. – Abraços,amigo.

    • Palavras sábias, Pastor! A nossa juventude, por um lado, parece estar alienada e, por outro, parece não achar que “vale a pena” participar da comunidade e da política. Isso é deveras preocupante! Estratégias para fomentar a participação juvenil cidadã são muito bem-vindas!

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