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Policiamento Comunitário e Sua Aplicabilidade em São Leopoldo

O policiamento comunitário é uma técnica de policiamento que surgiu nos anos 60 e 70 nos EUA como resposta ao aumento expressivo da violência urbana. Logo adiante, a Inglaterra passou a utilizar essa técnica e, ao longo dos anos 80 e 90, ela se disseminou pelos países desenvolvidos do Ocidente e chegou à China no final dos anos 1990.

Fonte: https://iespesjornalismo2008.wordpress.com/
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O policiamento comunitário foca sua ações na prevenção à criminalidade e no relacionamento com as comunidades, colocando-as lado-a-lado com a polícia na promoção da segurança pública. No policiamento comunitário, as equipes de policiamento são fixadas numa área geográfica limitada, de modo a que os moradores conheçam e se relacionem com esses policiais. Essas equipes “de bairro” conhecem as pessoas que por ali circulam e conseguem identificar pessoas estranhas à região, agindo conforme a necessidade. Esses policiais também conseguem identificar situações, na sua área, que causam insegurança, como ruas mal-iluminadas, áreas de depósito de lixo, boeiros abertos, etc. e dar pronta resposta à pequena criminalidade, como vandalismo, consumo de drogas ilícitas e outras.

Essa aproximação da comunidade com a polícia e a constante presença da polícia numa mesma área provoca a chamada “sensação de segurança”, fazendo com que as pessoas voltem a ocupar os espaços públicos e a circular pela cidade, com reflexos positivos para as pessoas e para a sociedade com um todo.

Além disso, cria-se canais de comunicação entre a comunidade e suas lideranças e a polícia, somando-se esforços para a promoção da segurança pública, tanto pela prevenção à situações de risco, quanto para resposta a crimes em andamento. E também pode-se implementar cursos, capacitações, treinamentos e ações variadas sobre segurança e sobre prevenção de acidentes.

Porém, algumas condições precisam ser resolvidas para a implementação da técnica de policiamento comunitário: capacitação dos agentes de segurança, disponibilização de meios materiais para que esses policiais estejam presentes nos bairros, separação das equipes comunitárias das equipes de intervenções policial crítica, organização institucional capaz de ouvir a comunidade e dar rápido atendimento às situações geradoras de segurança identificadas.

“O policiamento comunitário foca sua ações na prevenção à criminalidade e no relacionamento com as comunidades, colocando-as lado-a-lado com a polícia na promoção da segurança pública”

É possível aplicar essa técnica em São Leopoldo? Sim, com certeza! São Leopoldo já possui um Guarda Civil razoavelmente estruturada e essa instituição é a mais indicada para assumir o trabalho comunitário de segurança, inclusive para liberar a Brigada Militar para fazer a intervenção nas ocorrências graves de homicídios, latrocínios, tráfico de drogas, roubos a estabelecimentos comerciais e etc.

Contudo, a Guarda Civil Municipal precisa ainda avançar para poder realizar um bom policiamento comunitário. Por exemplo, na quantidade de viaturas e de efetivo humano. Uma aplicação ideal de policiamento comunitário em São Leopoldo exigiria 30 equipes, o que exigiria 40 viaturas e 270 guardas. Hoje, a Guarda possui, salvo engano, 9 viaturas e 177 guardas. Contudo, se São Leopoldo implantasse um programa de policiamento comunitário que atingisse a metade do ideal, já seria uma grande evolução e já teríamos uma sociedade muito mais segura.

Outro ponto crítico é a relação com a comunidade. É necessário qualificar o contato telefônico central e também criar ferramentas locais de comunicação, o que pode ser feito a baixo custo com soluções de TIC. Também seria bastante importante ter 3 bases fixas da Instituição na cidade: uma no entro, uma na Zona Norte e uma na Zona Leste. Uma qualificada aproximação com associações de bairro também seria uma boa ferramenta, especialmente para a realização de eventos de capacitação em segurança e para reuniões para ouvir a comunidade.

Também é necessário que outros órgãos municipais se organizem para prestar a devida resposta às situações que o policiamento comunitário apontar como críticas, como a Secretaria de Saúde, o Conselho Tutelar, a Secretaria de Obras e a Secretaria de Meio Ambiente.

Por fim, é muito importante que haja uma boa articulação entre as instituições de segurança pública, para que elas não sobreponham seus esforços, mas se complementem, cada qual com sua especialidade, e também para que haja um bom fluxo de informações, para que todas potencializem e qualifiquem suas ações.

“É possível aplicar essa técnica em São Leopoldo? Sim, com certeza!”

Veja mais em: https://www.youtube.com/watch?v=oKF8luSSVBY

Sobre Artur Niemeyer

Eu nasci em São Leopoldo, onde resido hoje. Tenho, agora, 35 anos. Com QI de 138, formei-me técnico em Mecânica de Precisão pelo SENAI/CETEMP, licenciado em História pela Unisinos, onde agora estou cursando a graduação em Direito, e pós-graduado como Especialista em Gestão Pública pela UFRGS. Publiquei 2 capítulos de livros sobre Gestão por Processos em Segurança Pública, assunto que também apresentei em seminário internacional da área. Comecei a realizar pequenos trabalhos aos 15 anos. Aos 18 anos, passei a atuar na indústria metal-mecânica. Aos 20, passei pela minha primeira experiência de administração, ao gerir uma pequena empresa de assessoria contábil. Com quase 21 anos, ingressei na Polícia Rodoviária Federal, como policial. Trabalhei nas atividades de policiamento de rua, atendimento aos cidadãos, policiamento especializado, supervisão operacional da Região Metropolitana de Porto Alegre, licitações, fiscalização de contratos, corregedoria, projetos, acompanhamento de auditorias, planejamento e controle de operações e na segurança dos Grandes Eventos realizados no Brasil até 2014. Fui membro juvenil do Movimento Escoteiro por 10 anos e, atualmente, atuo como voluntário junto ao Grupo Escoteiro Cruzeiro do Sul. Em meados de 2015, iniciei um movimento comunitário local chamado "Projeto São Leopoldo Melhor", que atua apoiando causas e demandas da sociedade leopoldense, em prol de seu aprimoramento. Em 7 de setembro de 2015, ingressei na política, filiando-me ao PDT, por acreditar na democracia, na legalidade e na emancipação do povo pela educação e pelo trabalho. Em 15 de novembro, lancei minha pré-candidatura a vereador, defendendo uma política limpa, transparente, honrada e de conteúdo, pautada por projetos claros e viáveis. Atingi a suplência com 911 votos, apesar do pouco investimento financeiro, provando ser possível fazer política sem uso ou respaldo do poder econômico. Veja mais em: .

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2 comentários

  1. João Carlos Tomm

    Me parece ser A SOLUÇÃO!!!! para o grave problema da segurança pública. Penso que precisamos, para melhor funcionamento, melhor estruturar e definir as funções das Associações de Bairro, que a meu ver podiam ter um status de sub-prefeituras, com a responsabilidade de zelar os espaços públicos como praças, ruas, iluminação pública, frente de escolas….

    • Concordo plenamente! As Associações de Bairro tem um potencial gigantesco para servirem de centros irradiadores de cidadania, cuidando de praças, realizando reuniões de conselhos de bairro e cursos de capacitação profissional e cidadã. No meu projeto de segurança pública para São Leopoldo, inclui o fortalecimento dessas Associações nesse sentido! Aí teremos, de fato, comunidade e Estado trabalhando juntos!

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